Entre a fé, o preconceito e a resistência

Depois de crescer em uma família que rejeitava as religiões de matriz africana, Gui Christ encontrou na fotografia o caminho para descobrir sua própria ancestralidade

Entre a fé, o preconceito e a resistência
Pai Bijuca.

Gui Christ parou diante da porta do terreiro. Estava em Magé, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, acompanhando e fotografando um grupo de reisado, manifestação popular de origem cristã. A música, a dança e os participantes haviam chamado sua atenção. Quando o cortejo entrou em um centro de Umbanda, ele foi junto. Mas não conseguiu passar da entrada.

O pai de santo percebeu sua presença e o convidou a entrar. Gui recusou. O homem insistiu. Ele recusou novamente. Não sabia como explicar que estava com medo. Afinal, desde criança ouvira histórias terríveis sobre a macumba, o Candomblé e tudo o que estivesse relacionado às religiões de matriz africana. Na família, essas práticas eram associadas a coisas ruins, perigosas, que deveriam ser evitadas.

A insistência de pai Bijuca venceu a resistência do visitante. Gui entrou. Naquele dia haveria uma festa de Preto Velho, entidade associada à ancestralidade, à sabedoria e à memória dos africanos escravizados. O fotógrafo resolveu ficar.

O que encontrou foi muito diferente daquilo que havia aprendido a temer. Os cânticos, os rituais e a maneira como as pessoas se relacionavam naquele espaço despertaram sua curiosidade. Em determinado momento, percebeu que diferentes Pretos Velhos se aproximavam para conversar com ele. Achou estranho. Havia muita gente no terreiro, mas as entidades pareciam especialmente interessadas naquele visitante.

Saiu de lá com uma sensação que não conseguia explicar. Era como se a experiência tivesse colocado em dúvida tudo o que ouvira durante a infância.

Naquela noite, segundo seu relato, começaram os sonhos. Imagens, entidades e referências religiosas que ele acreditava desconhecer passaram a aparecer enquanto dormia. Intrigado, voltou ao terreiro. Conversou com o pai de santo, que sugeriu que ele poderia ter mediunidade e o convidou a frequentar a casa.

Havia também outro convite: poderia levar a câmera.

Gui aceitou. Passou a frequentar o terreiro, conhecer os fundamentos da religião e fotografar suas celebrações. A câmera, que até então servia para observar o mundo, havia se transformado em uma espécie de passagem para descobrir uma parte desconhecida de sua própria história.

Hoje, ao recordar aquele encontro, o fotógrafo brinca que já não sabe o que veio primeiro: a fotografia ou a macumba.

Aquela porta em Magé, diante da qual permaneceu paralisado, acabaria sendo também a entrada para um dos trabalhos mais importantes de sua trajetória.

Os espíritos guardiões das encruzilhadas.
No ritual chamado Efun, pontos brancos são pintadas na pele para afastar a morte. De acordo com a mitologia iorubá, Iku (a morte) teme a galinha-d'angola.

Uma história de família marcada pelo silêncio

Para compreender o medo que manteve Gui Christ parado à porta daquele terreiro, é preciso voltar algumas gerações de sua família.

Do lado paterno, a história passa por Horácio de Souza, seu bisavô, que, segundo a memória familiar, foi um dos primeiros jornalistas negros do Brasil. Filho de uma mulher escravizada, nasceu sob a vigência da Lei do Ventre Livre e teria sido assassinado por integralistas. Gui conta que a violência e a discriminação sofridas por seus antepassados contribuíram para que a família buscasse se afastar de suas origens negras.

As gerações seguintes foram marcadas por casamentos inter-raciais e por um processo que o fotógrafo identifica como embranquecimento. A negritude se tornou um assunto incômodo, raramente discutido.

Do lado materno, a relação com as religiões afro-brasileiras era ainda mais conflituosa.

Sua bisavó havia sido mãe de santo em uma pequena cidade de Minas Gerais. Em circunstâncias que a família nunca conseguiu esclarecer completamente, precisou deixar a cidade e se separar das três filhas. Gui não sabe exatamente o que aconteceu. O que chegou até ele foram fragmentos de uma história dolorosa, transmitidos pela avó e pela tia-avó.

As duas cresceram ressentidas com o abandono. Posteriormente, aproximaram-se do espiritismo kardecista e passaram a rejeitar tudo o que estivesse relacionado à religião praticada pela mãe.

A macumba, na família, tornou-se sinônimo de algo a ser desprezado.

Gui cresceu em meio a essas contradições. Recebeu educação católica, frequentou a catequese e conviveu com as referências do kardecismo. Ao mesmo tempo, carregava uma ancestralidade africana que, por diferentes razões, havia sido silenciada.

Foi a fotografia que começou a modificar essa relação.

No final dos anos 1990, teve seu primeiro contato com a linguagem fotográfica durante a graduação em Artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A experiência, entretanto, não foi animadora. Os laboratórios estavam deteriorados, os equipamentos eram precários e as condições de trabalho o fizeram acreditar que jamais seria fotógrafo.

No início dos anos 2000, já trabalhando como diretor de arte em publicidade e design, voltou à câmera como uma maneira de escapar das longas jornadas diante do computador.

Foi nesse período que conheceu Walter Firmo. Participou de um curso com o fotógrafo, cuja obra é profundamente ligada à cultura popular, à população negra e às manifestações culturais brasileiras.

Firmo o ensinou a olhar para um Brasil que, embora fizesse parte de sua própria origem, Gui ainda não havia aprendido a reconhecer.

A aproximação com as festas populares, os personagens das ruas e as comunidades periféricas nasceu dessa convivência. Foi também por esse caminho que chegou ao terreiro de Magé.

Celebração de Iemanjá.
Na mitologia iorubá, a pipoca é usada como remédio.

O ensaio que nasceu de um ataque

A descoberta da Umbanda e, posteriormente, do Candomblé deixou de ser apenas uma experiência cultural. Gui passou a frequentar terreiros, estudar os fundamentos religiosos e participar de suas celebrações. A fé tornou-se parte de sua vida, mas demoraria alguns anos para se transformar no tema central de seu trabalho fotográfico.

Em 2018, um episódio nas ruas de São Paulo modificou essa relação.

Gui caminhava para um curso de formação sacerdotal. Vestia roupas brancas e usava um fio de contas vermelho e preto, associado a Exu. Enquanto passava por uma calçada, um motorista avançou com o carro em sua direção. Para escapar, precisou saltar para fora da trajetória do veículo. O motorista não parou.

Gui conta que o automóvel saía das proximidades de uma igreja evangélica e carregava um adesivo com uma mensagem religiosa. Para ele, não havia dúvida de que o ataque fora motivado pelos símbolos que utilizava.

Ao chegar ao curso, relatou o episódio aos colegas. Foi quando ouviu que havia sido vítima de intolerância religiosa.

A constatação o fez pensar sobre sua própria condição. Homem branco, nunca havia experimentado diretamente a violência do racismo contra a população negra. Naquele dia, porém, ao carregar símbolos de uma religião de matriz africana, tornou-se alvo de uma agressão que associou ao preconceito racial e religioso.

Um dos professores o provocou: como profissional da comunicação, com acesso à imprensa, ele não deveria utilizar esse espaço para mostrar o que acontecia com os praticantes dessas religiões?

A pergunta se transformou em um projeto.

Gui começou a produzir reportagens sobre intolerância religiosa e violência contra terreiros. Em 2022, recebeu uma bolsa Explorer da National Geographic Society, que lhe permitiu percorrer o Brasil durante aproximadamente um ano, documentando perseguições, ameaças e histórias de comunidades religiosas.

Encontrou mães de santo expulsas de suas casas, terreiros ameaçados por grupos armados e famílias obrigadas a abandonar os lugares onde praticavam sua fé.

Uma das histórias que mais o impressionaram foi a de uma mãe de santo do Rio de Janeiro que, segundo seu relato, precisou mudar de endereço três vezes por causa da atuação de grupos criminosos que não aceitavam a presença de terreiros nos territórios sob seu controle.

O trabalho era desenvolvido dentro dos padrões do fotojornalismo. Gui entrevistava as vítimas, registrava suas histórias e produzia imagens para documentar a violência.

Mas o contato prolongado com o sofrimento começou a afetá-lo. As entrevistas eram marcadas por lágrimas, lembranças de agressões e relatos de perdas. Ele percebeu que estava fotografando pessoas que compartilhavam sua fé quase exclusivamente pela perspectiva da dor.

Foi então que recebeu um conselho inesperado.

Durante uma celebração em seu terreiro, conversou com Zé Pilintra, entidade da Umbanda associada à tradição dos malandros. Contou sobre o trabalho e o desgaste emocional que vinha enfrentando.

Segundo Gui, a entidade questionou por que ele continuava fotografando a religião da maneira como os outros esperavam. Por que não mostrar seus irmãos de santo a partir da maneira como eles próprios percebiam o mundo?

A conversa mudou o rumo do projeto.

Em vez de permanecer como observador externo, Gui decidiu utilizar seus conhecimentos religiosos para construir uma narrativa visual sobre a fé, a ancestralidade e a presença do mundo espiritual na vida das comunidades.

Nascia uma nova fase de M'kumba.

O invisível diante da câmera

O desafio era fotografar algo que, por definição, não pode ser visto.

Para os praticantes de religiões de matriz africana, a relação com os ancestrais, as entidades e os orixás não está restrita aos momentos de celebração. Ela participa do cotidiano, das relações com a natureza, da convivência comunitária e das maneiras de compreender a existência.

Gui queria traduzir essa percepção em imagens.

Passou a construir fotografias que combinam retratos, representações simbólicas, referências às mitologias africanas e elementos das tradições religiosas brasileiras. Não pretendia reproduzir simplesmente aquilo que acontecia durante os rituais, mas criar imagens capazes de expressar a maneira como seus participantes experimentam a espiritualidade.

Em uma das fotografias, produzida em Salvador, Inagê Kaluanã representa Exu, orixá associado à comunicação e aos caminhos. Em outra, a sacerdotisa Elizabeth Aparecida representa Ogum em um terreiro doméstico de Embu das Artes, em São Paulo. Há também uma representação de Iemanjá feita com Samara Azevedo, que questiona o embranquecimento da imagem da divindade no imaginário brasileiro.

O cineasta Inagê Kaluanã representa Exu.
A sacerdotisa Elizabeth Aparecida representa Ogum.
A professora Samara Azevedo representa Iemanjá.

Cada fotografia carrega uma discussão que ultrapassa sua composição visual.

Gui pesquisa a história da escravidão, do colonialismo e das religiões afro-brasileiras para compreender como determinadas imagens foram construídas e difundidas. Uma de suas referências críticas é a reportagem "As noivas dos deuses sanguinários", publicada pela revista O Cruzeiro, em 1951, com fotografias de José Medeiros.

A reportagem mostrou um ritual de iniciação do Candomblé, expondo cerimônias tradicionalmente reservadas aos participantes da religião. O título e a abordagem contribuíram para reforçar associações preconceituosas entre os cultos afro-brasileiros e a violência.

Gui não atribui necessariamente uma intenção discriminatória ao fotógrafo. Considera, entretanto, que aquelas imagens, dentro do contexto em que foram publicadas, ajudaram a consolidar uma visão distorcida do Candomblé.

Com M'kumba, procura construir outra visualidade.

O artista reconhece que suas fotografias podem ser consideradas belas. Mas insiste que a beleza não é a finalidade do trabalho. Por trás das cores, dos personagens e das representações espirituais, há uma investigação sobre racismo, violência e resistência.

Essa mudança também transformou sua relação com a profissão. Gui, que trabalhou durante anos para veículos nacionais e internacionais, passou a questionar os limites do fotojornalismo tradicional.

Hoje prefere se apresentar como um artista que utiliza a fotografia.

Entre encantados, festas e encontros improváveis

As viagens realizadas para produzir M'kumba também proporcionaram experiências que dificilmente caberiam em uma reportagem convencional.

Uma delas aconteceu em Codó, no Maranhão, cidade conhecida pela presença de tradições religiosas afro-brasileiras, especialmente o Terecô.

Gui acompanhava uma celebração dedicada aos encantados, entidades espirituais que ocupam um lugar importante nessa tradição. Diferentemente de algumas cerimônias que conhecia em São Paulo, as festas podiam atravessar a madrugada e continuar durante dias.

As pessoas dançavam, cantavam, conversavam e celebravam. Gui fotografava e participava da convivência, procurando compreender as particularidades daquela comunidade.

Em determinado momento, já perto do amanhecer, sentou-se à mesa com um grupo de participantes que, segundo a tradição religiosa, estavam incorporados por entidades.

Olhou ao redor e percebeu que era o único que não estava incorporado.

Pensou alto e comentou que parecia ser o único vivo naquela mesa.

Uma das entidades, sentada ao seu lado, virou-se e perguntou:

— E você tem certeza de que está vivo?

A resposta o surpreendeu. Gui gosta de contar o episódio porque ele sintetiza a maneira como diferentes tradições religiosas compreendem a relação entre os vivos, os mortos e os ancestrais.

Para ele, a experiência também mostra os limites de uma fotografia que pretende registrar apenas aquilo que pode ser objetivamente observado.

O Terecô, assim como outras tradições religiosas brasileiras, possui seus próprios conhecimentos, mitologias e formas de interpretar o mundo. A convivência com essas comunidades fez Gui perceber que não seria possível representar todas elas utilizando uma única linguagem.

A diversidade encontrada durante as viagens tornou-se uma das características centrais do ensaio.

Em cada região, conheceu manifestações diferentes, histórias de entidades locais, celebrações e maneiras particulares de relacionar o mundo material ao espiritual.

O fotógrafo reconhece que essa riqueza cultural torna difícil estabelecer um ponto final para o projeto.

Uma história de perseguição que atravessa séculos

A palavra macumba, utilizada muitas vezes de maneira depreciativa, acabou se tornando uma denominação genérica para diferentes práticas religiosas afro-brasileiras. Mas as tradições reunidas sob esse nome possuem histórias, fundamentos e características próprias.

O Candomblé consolidou-se no Brasil principalmente ao longo do século XIX, a partir de conhecimentos religiosos trazidos por povos africanos escravizados. Antes disso, manifestações como os calundus já estavam presentes no território colonial.

A Umbanda, por sua vez, desenvolveu-se a partir de diferentes tradições africanas, indígenas, católicas e espíritas, consolidando sua identidade religiosa no início do século XX.

Essas práticas enfrentaram perseguições desde o período colonial. Sacerdotes foram presos, objetos sagrados apreendidos e terreiros invadidos. Em diferentes momentos da história brasileira, as religiões de matriz africana foram tratadas pelas autoridades como superstição, charlatanismo ou ameaça à ordem pública.

A Constituição de 1988 assegurou a liberdade de crença e a proteção aos locais de culto, mas a garantia legal não foi suficiente para eliminar a violência.

Segundo dados do Disque Direitos Humanos, o Disque 100, o Brasil registrou 1.481 denúncias de intolerância religiosa em 2023. Em 2024, foram 2.472, crescimento de aproximadamente 67%.

Esses números abrangem diferentes religiões e tipos de violações, não apenas ataques contra terreiros. Ainda assim, pesquisas e levantamentos de órgãos públicos apontam que praticantes de religiões afro-brasileiras estão entre os grupos especialmente atingidos pelo preconceito.

O problema também aparece nos relatos de ameaças, depredações de espaços religiosos, destruição de objetos sagrados e expulsões de sacerdotes de comunidades dominadas por grupos armados.

Gui considera que essa violência não pode ser compreendida apenas como uma disputa entre crenças religiosas. Para ele, existe uma relação direta entre a perseguição aos terreiros e o racismo estrutural da sociedade brasileira.

Em suas viagens, encontrou histórias de pessoas que precisaram abandonar os próprios terreiros para sobreviver. Também conheceu comunidades que continuavam celebrando suas tradições apesar das ameaças.

É essa resistência que procura mostrar.

O reconhecimento internacional veio em 2025, quando M'kumba conquistou o primeiro lugar na categoria "Retrato" do Sony World Photography Awards.

O prêmio ampliou a visibilidade do trabalho, mas Gui pretende que o ensaio tenha um alcance que vá além das exposições e dos circuitos especializados em fotografia.

Ele planeja transformar em um livro e destinar exemplares a terreiros, comunidades fotografadas e escolas.

O reencontro com o homem que abriu a porta

Entre as muitas fotografias de M'kumba, uma tem significado especialmente pessoal para Gui Christ.

Anos depois de sua primeira visita ao terreiro de Magé, ele decidiu voltar ao lugar onde havia começado sua aproximação com a Umbanda.

Já não era o jovem assustado que permanecera parado diante da porta. Havia se tornado praticante da religião, aprofundado seus conhecimentos e percorrido o Brasil fotografando terreiros e comunidades afro-brasileiras.

Levava consigo um brajá, colar utilizado em determinadas tradições religiosas para indicar uma posição sacerdotal. Queria entregá-lo ao pai de santo que, tantos anos antes, havia insistido para que entrasse naquele terreiro.

Era uma maneira de agradecer.

Pai Bijuca recebeu o presente. Durante o encontro, segundo Gui, o mesmo Preto Velho que havia conhecido na primeira visita se manifestou novamente.

A emoção tomou conta do ambiente. O pai de santo chorou. Gui também.

E, em meio àquele reencontro, o fotógrafo fez uma imagem.

Nela, Pai Bijuca aparece com o colar recebido, diante do altar do terreiro. Ao fundo, a disposição dos símbolos religiosos conta outra história.

Na parte superior, imagens católicas. Mais abaixo, referências às tradições africanas.

Aquela organização preservava marcas de um tempo em que os praticantes precisavam esconder seus símbolos religiosos para escapar da perseguição. As imagens cristãs ficavam mais visíveis, enquanto os elementos associados às religiões africanas eram mantidos em lugares discretos.

A fotografia reunia, assim, diferentes camadas da história que ele vinha investigando.

Estavam ali a perseguição religiosa, as estratégias de sobrevivência dos terreiros, a ancestralidade e a memória de uma comunidade. Mas havia também uma história íntima: a do homem que, durante a juventude, sentira medo de entrar em espaços como aquele e que agora retornava para agradecer por tudo o que havia encontrado do outro lado da porta.

Pai Bijuca morreu algum tempo depois. Gui soube da notícia quando voltou a publicar a fotografia. A perda tornou aquela imagem ainda mais importante.

Ao recordar o reencontro, emociona-se. Para ele, a fotografia representa um percurso que começou com o preconceito herdado da família e se transformou em uma relação profunda com a religião e suas comunidades.

A câmera esteve presente em todos esses momentos.

Foi por causa dela que acompanhou o reisado até Magé. Foi com ela que voltou ao terreiro e começou a conhecer a Umbanda. E foi novamente através da fotografia que encontrou uma maneira de falar sobre a fé, o racismo e a resistência dos povos de terreiro.

Na primeira visita, precisou que alguém insistisse para que atravessasse a entrada.

Anos depois, voltou por vontade própria, levando um presente para o homem que havia aberto aquela porta.

Dessa vez, não havia medo.

Havia uma fotografia a fazer.


Crédito da foto: Toni Mendes.

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